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Tartaruga Irapuca


    A Tartaruga Irapuca (Podocnemis erythrocephala) é uma das menores espécies de tartarugas amazônicas (gênero Podocnemis), que incluem os cágados herbívoros (tartarugas que guardam o pescoço de forma lateral ao casco pertencentes a sub-ordem Pleurodira), contudo sua exuberante coloração avermelhada, a torna uma das mais belas representantes dessa família. A espécie foi descrita pela primeira vez como Emys erythrocephala por Spix em 1824, com um espécime obtido no Rio Solimões, Brasil. Foi classificada erroneamente como Podocnemis cayennensis em 1812 por Schweigger.

    Esta espécie de tartaruga ocorre no Brasil, Colômbia e Venezuela, principalmente na bacia do Rio Negro, na parte baixa do Rio Solimões, na parte alta do Rio Amazonas e superior do Rio Orinoco. Ocorrendo nos estados brasileiros do Amazonas, Pará e Roraima. Sendo considerada uma espécie comum devido sua grande extensão de ocorrência, que foi calculada no país em 629.135,46 km2. Elas preferem os rios e lagoas de águas pretas, mas também é encontrada em águas claras nas bacias dos rios Tapajós e Trombetas no estado do Pará. Na bacia do rio Negro é encontrada principalmente em pequenos cursos d'água e lagos.


    Sua alimentação é praticamente herbívora, baseada em plantas aquáticas, frutas caídas (das famílias Fabaceae, Sapotaceae, Rubiaceae, Loranthaceae e Poaceae) e sementes, podendo também se alimentar em menores quantidades (inferiores a 5% da dieta) de peixes, insetos e crustáceos, ocorrendo este tipo de alimentação em maior frequência nos animais mais jovens. Os jovens possuem uma taxa de crescimento de 44,11 ± 6,04 mm por ano, já os machos adultos crescem cerca de 1,47 ± 1,33 mm por ano e as fêmeas adultas crescem em torno de 2,57 ± 3,52 mm por ano. A maturação sexual ocorre em torno dos 9 anos de idade, quando as fêmeas atingem em média 221,8 mm de comprimento linear de carapaça e os machos cerca de 161 mm de comprimento linear de carapaça.



Macho adulto                                                                Fêmea adulta


    As fêmeas atingem maiores tamanhos que os machos, podendo chegar aos 32,2 centímetros de comprimento linear de carapaça, já os machos atingem somente 24,4 centímetros de comprimento linear de carapaça. No entanto as caudas dos machos são bem maiores em comprimento e largura que a das fêmeas. As fêmeas chegam a pesar cerca de 2 quilogramas e os machos apenas 1,0 quilograma. Um dimorfismo que também é facilmente observado, é que os machos adultos mantém a coloração avermelhada na cabeça e nas patas, já as fêmeas maiores que 15 centímetros de comprimento linear de carapaça começam a perder a coloração avermelhada, se tornando mais pálidas. As desovas costumam ocorrer entre agosto e novembro no rio Negro (AM), no início de dezembro no Rio Tapajós (PA) e entre setembro e outubro em Trombetas (PA). Podem também ocorrer dois períodos de desova ou então, não sendo muito comum, até cerca de quatro ninhadas na mesma estação. Essas desovas acontecem preferencialmente à noite e na estação seca, podendo ser em grupo ou sozinhas. Elas preferem depositar seus ovos em áreas mais abertas, como em praias cobertas com gramas e arbustos. As fêmeas podem colocar de 2 a 18 ovos por postura, com média de 8 a 9 ovos. Os ninhos possuem profundidades que variam de 3 a 100 mm na parte de cima onde se localizam os primeiros ovos a até 70 a 225 mm, onde se localizam os últimos ovos. Esses ovos são de formato elíptico e possuem em média cerca de 41,5 mm de comprimento, variando entre 30,0 a 49,9 mm, a largura possuí em média 27,4 mm, variando entre 19,0 a 33,2 mm, a massa média é de 16,6 gramas, variando entre 9,0 e 23,3 gramas. As tartaruguinhas nascem com cerca de 39,7 mm de comprimento linear de carapaça, variando entre 29,5 a 47,4 mm e pesam em torno de 13,1 gramas, variando entre 7,.9–15,3.

    A temperatura de incubação dos ovos determina o sexo das tartaruguinhas que irão nascer, onde temperaturas altas de incubação próximas 30°C de produzem mais fêmeas e temperatura mais baixas, próximas de 28°C produzem mais machos. Uma incubação a 27,5 ± 0,6°C produziu 100% de machos e acima de 30,7°C produz somente fêmeas. O tempo de incubação varia entre 65 a 102 dias, com média de 80 dias.


    A principal dificuldade encontrada por esta espécie é consumo dela e de seus ovos por humanos, que tem provocado uma redução rápida de suas populações, pois esta é a tartaruga mais consumida e comercializada pela população local na bacia do rio Negro. Esta espécie é também comumente utilizada como animal de estimação na região norte do Brasil. Contudo no Rio Ayuanã, em Santa Isabel do Rio Negro (AM), ainda é possível encontrar uma densidade elevada de ninhos, em torno de 20 ninhos/ha e média. Entre os predadores naturais das Irapucas adultas estão apenas alguns predadores de grande porte como o jacaré açu, a onça pintada e os botos, no entanto os ovos e os filhotes são vulneráveis a diversos perigos, como formigas, lagartos, raposas, aves, entre outros.

Dados do Quelônio:
Nome: Tartaruga Irapuca, Jurara-uirapeque, Tracajá perema, Uirapocca, Red-headed amazon river turtle, Chipire, Chimpire.
Nome Científico: Podocnemis erythrocephala
Local onde Vive: América do Sul
Peso: Cerca de 2,0 quilogramas
Tamanho: 32,2 centímetros de comprimento linear de carapaça
Alimentação: Onívora


Classificação Científica:
Filo: Cordados
Sub-Filo:Vertebrados
Classe:Sauropsida
Sub-Classe:Anapsida
Super-Ordem: Chelonia
Ordem: Testudines
Sub-Ordem: Pleurodira
Família: Podocnemididae
Gênero: Podocnemis
Espécie: Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)

Sinônimos:
- Emys cayennensis Schweigger 1812 (partim, misidentified type).
- Emys erythrocephala Spix 1824.
- Chelys (Hydraspis) cayennensis Spix 1824.
- Chelys cayennensis Spix 1824.
- Hydraspis cayennensis Spix 1824.
- Podocnemis cayennensis Spix 1824.
- Podocnemis erythrocephala Gray 1830.
- Hydraspis expansa erythrocephala Gray 1830.
- Chelys (Hydraspis) erythrocephala Gray 1830.
- Chelys erythrocephala Gray 1830.
- Emys bitentaculata Cuvier in Gray 1830 (nomen nudum et dubium).
- Hydraspis bitentaculata Gray 1831 (nomen oblitum et dubium).
- Podocnemis agassizii Coutinho in Göldi 1886.
- Podocnemis coutinhii Göldi 1886 (nomen novum).

Fotos:
- Richard C. Vogt.

Referências:
- Batistella, A.M. 2003. Ecologia de nidificação de Podocnemis erythrocephala (Testudines, Podocnemididae) em Campinas do Médio Rio Negro- AM. Dissertação (Mestrado em Biologia Tropical e Recursos Naturais). Universidade Federal do Amazonas. 112p.
- Batistella, A.M. & Vogt, R.C. 2008. Nesting Ecology of Podocnemis erythrocephala (Testudines, Podocnemididae) of the Rio Negro, Amazonas, Brazil. Chelonian Conservation and Biology,7(1): 12-20.
- Carvalho Jr. E.A.R.; Pezzuti, J.C.B. & Maranhão, M.B. 2011. Podocnemis erythrocephala Nests in the Lower Tapajós River, Central Amazonia, Brazil. Chelonian Conservation and Biology, 10(1): 146-148.
- Moretti, R. 2004. Biologia reprodutiva de Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824), Podocnemis expansa (Schweigger, 1812) e Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812) (Testudinata, Podocnemididae) na bacia do Rio Trombetas, Pará. Dissertação (Mestrado em Biologia) Universidade de São Paulo. 77p.
- Russell A. Mittermeier, Richard C. Vogt, Rafael Bernhard and Camila R. Ferrara, "Podocnemis erythrocephala (Spix 1824) – Red-headed Amazon River Turtle, Irapuca", Conservation Biology of Freshwater Turtles and Tortoises, Chelonian Research Monographs, No. 5, 2015.
- Vogt, R. C. 2001. Turtles of the Rio Negro. In: Chao, N. L.; Petry, P.; Prang, G.; Sonneschien, L. & Tlusty, M. (eds.). Conservation and Management of Ornamental Fish Resources of the Rio Negro Basin, Amazonia, Brazil (Project Piaba). Editora da Universidade do Amazonas. p. 260-271.
- Vogt, R.C. 2008. Tartarugas da Amazônia. Lima. 104p.



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